Perdido no tempo...

Deixo aqui alguns de meus textos, pensamentos que escrevo ao fim do dia e conversas com meu errante Eu Lírico, não costumo responder por ele apesar disso.

Vou brincando de escrever... Quem quiser me entender mais, aqui é um bom começo, mesmo que nunca seja a versão mais completa do que há na minha mente.

Primeiros Vôos

25/11/2009

Aqui estamos aspirantes de um novo mundo.
Perdidos, acordados, respirando futuro.
Brilha um regente de sonhos.

Encanta. Ainda assim nem tudo é calmaria.
Sente-se a delícia do mediar esperanças,
O sabor em comunicar idéias
E o fascínio nos olhos dos viajantes.
Erguem-se saberes e sentimentos,
Nas terras em que aos poucos vão ficando,
Percepções talvez guiadoras de vida inteira
Como luz que nos faz ver e que também cega.

Nesse convite saudoso ao desconhecido
Qualquer agradecimento é acanhado.
Construção que abranda em conjunto
O idealizador e sua obra.

De sutil, como um sábio aperfeiçoa,
Desperta primeiros anseios.
Marca vontades, e assim
Os viajantes se arriscam
Sem esquecer os primeiros passos. 


Escrito para a I Cesta de Amenidades. "Um agradecimento à professora Graça."

Ode Ao Vazio

16/11/2009

Obscuro sob um princípio de noite
e uma gota gelada relembrando tanta coisa imperfeita...
Era dor e algo distante não realizado.
Seria melhor parar no caminho e apreciar
a vida em volta como um sonhador?
Volta para casa com o fim
resposta de tanta frustração, mas existindo.

Como as coisas poderiam ter sido?

Se tivéssemos deixado de lado tanta mentira
falado menos e sentido como quem se completa.
Uma incerteza e a inexperiência de ambos.
Com coisas tão fortes como uma vida inteira... 
Apenas agito a cabeça, não é nada, mas te condena.
Fraqueza do que buscas e ao que se entrega sem pensar.
As vozes não se manifestam e o peito pulsando...
Fomos ridículos ou fomos românticos?

Não pense em perfeição ou um mundo que não podemos ter
É que abandonei antes de ter arriscado. Julgo sensato.
Suas dúvidas caladas com respostas secas
e gestos tão fechados como decepção...


Indo para casa, depois do conforto de amigos,
me peguei outra vez com o velho ar
de sonho realizado e rasgado por um bruto despertar
E eu nem estava dormindo... Apenas mergulhado
prendendo a respiração em nossas águas
Tão confidenciais que nem conhecemos
o brilho, a fantasia e a vida que podem nos confiar.

Certamente imaginamos e esquecemos.
Cada segundo que me resta e cada toque suave de sereno
sonhando com o que perdi de nosso singelo temporal
Então acordo e fico sem vontade de encarar o mesmo
e o acaso fazendo questão de dar-me abrigo.

Você estava fria nos meus braços e cada instante rápido
de nossos olhos fechados foram como devaneio sem fim
E talvez quando eu deitar me sinta melhor
Para não batalhar por tantos estilhaços alastrados
em mais uma de minhas omissões de algo acolhedor.

A Brisa

10/11/2009

Desenho distante de imaginação
Que as essências talvez partilhem.
Algum acaso e alguma vontade
E escolhas que mantemos próximas.
Passagens que são afáveis tornam-se
Sempre bem acolhidas e respeitadas.

Quando o recente trouxe dúvida
Acalmou-se de cumplicidade
Jeito atento, prático que se permite.
Algum arcano mútuo que há
Afinidade que no singelo
Não vai se encher de preocupação.

Capricho de felicidade entregue
Sem ocasião precisa nem interesse
É como aproximou da parede
O mesmo de cada desalento.
 

Não existe um requinte assustoso
Em arrastar alegria e liberdade 

Com a sutileza de primavera.
Encontrarás janelas sempre abertas. 



Escrito para Karina Amoêdo em 27 de outubro de 2009.